MUNDO SEN(SATO)
Estava a menina na cozinha de sua casa
confortavelmente sentada numa cadeira
flutuando na altura do teto...
E olhando pra baixo assusta-se ao ver
a si própria. A si própria?!
Pouco tempo passado, entra sua mãe.
Ela percebe e deseja ardentemente que
a mãe não a tenha ido procurar e que
não faça muito barulho, nem fale alto.
Sente que se a mãe fizer algum ruído
maior, despencará de onde está. E ela
não quer voltar...
De repente, surge um disco voador e ela
é logo abduzida. Começa então, uma viagem
fantástica, por um mundo encantado!
Chega a Lua e pisa levemente sua aura
branca, luminosa, densa...
E, sentindo-a tão próxima, com o coração
aos saltos, observa-a derramar seus
recônditos sentimentos no manto de luz,
que a dor acalenta e ameniza.
Eis que a mãe foi alí pra buscá-la e chamando-a
faz seu ser inteiro entrar em convulsão...
Debate-se, tenta não ouvir. Mas, a mãe insiste,
grita e a faz deslizar como um meteoro a milhares
de kilômetros anos luz, regressando como um sopro
para a Terra!... E para a cozinha... a cadeira...
Não mais flutua.
Não iria mais sentir a mesma sensação de Neil Armstrong.
Não mais se encantaria com as curiosidades desse satélite
mágico e único.
A mãe fala o que quer, repreende-a por estar ¨forçando¨
aquela situação, dizendo que um dia irá, sem condições de
retorno... E depois, sai deixando-a novamente sozinha e
entregue a seus devaneios.
Concentra-se desesperadamente. Precisa retornar,
deve buscar novamente, seu disco voador...
Apesar do esforço, ele não vem. Cansada de tanto esperar,
resolve tomar um banho reconfortante, nas cachoeiras de
Foz do Iguaçu. Porém, chegando lá, vê que não tem mais
cachoeiras, as águas secaram. E Platão pinta uma tela de
Van Gogh, com o auxílio de uma caneta esferográfica, Big
ponta fina. Enquanto Sócrates atirava flores para a multidão,
embevecido com seus brados de apoio ao sofista. A multidão
satisfeita, toma Coca-Cola com cicuta ou seria querosene?
Já Raphael, abandona sua terra e vai filosofar para os
discípulos de Platão, que por sua vez, estão pintando
belíssimas madonas, com as quais pretendem presentear Martin
Lutero, para que ele enfeite sua sala.
E, contemplando os anéis de Saturno, vislumbra um fênix
que puxa suas vestes de algodão e seda, para construir
um pára-quedas.
Não resistindo ao seu encanto, recostada no chão macio da Lua,
masturba-se apreciando a maciez da areia de Copacabana e o
cheiro do mar do Cassino.Na praia do Laranjal, no estado do
Rio de Janeiro, sentindo o frio do polo norte.
E agasalhando-se com as hortênsias lilases, amarelas e
rosadas de Gramado.
Entre sorrisos e lágrimas, goza gritando o nome de seu amado,
que continua inerte, passivo, distante, inatingível.
Em seguida, pega carona no pára-quedas de fênix e
aporta em seu corpo exausto, sedento, faminto e esperançoso
de uma nova viagem multi-mundo colorido e sen(sato).
Tânia Regina Voigt
Música: Pisando corações (Ernani Campos & A. Silva)
| Under Ac - 2007-06-04 22:56:33 | | Em uma viagem deste tipo, não se pode ficar apegado a normas e conceitos, estabelecidos por uma sociedade hipócrita... Senti o calor de multiplas explosões solares, mas continuei intacto. A mente de cada um sabe aquilo que é melhor para o próprio. Parabéns pela coragem, por escrever o que é normal apenas quando oculto dentro de nós mesmos. Under®AC | | | | Claudete Silveira - 2007-06-03 22:01:44 | | Um lindo sonho, as fantasias nos fazem viver bem melhor. Bjs! Clau | | | | M Lurdés Souza - 2007-06-03 21:56:37 | | Nossa menina que bela VIAGEM... Lindo demais amiga;com encantadora imagem e música; até me deu vontade de estar sonhando no lugar desta menina! AMEI!!!! Carinhosamente Beijos Mil Ly
| | | | Mônica Cássia de Barros - 2007-06-03 21:56:27 | | | | |
Resolução 1024x768 © Copyright 2005-2009 Planeta Literatura |